quarta-feira, 12 de agosto de 2009

1. FRITZ PERLS NÃO APRENDEU TEORICAMENTE A GESTALT TERAPIA

Acho toda a discussão muito boa. E importante, na medida em que vai esclarecendo qualidades e detalhes das perspectivas. Mas ñ quero dei-xar uma impressão de que a compreensão, aprendizagem e a vivência metodológica da GT demande toda esta teorização. Na verdade, sabe-mos, a vivência metodológica da GT é uma arte empírica, fenomenológi-co existencial empírica, não teorética. Quer dizer, privilegia o modo não teorético de sermos, não reflexivo, não explicativo, não conceitual, não representacional. Modo de sermos, este, ontológico, e que podemos di-zer fenomenológico, existencial, dialógico, compreensivo, hermenêutico (no sentido existencial)... Que se caracteriza por ser todo ele impregna-ção pela potência, pela vontade de possibilidade, pela possibilidade, e pelo desdobramento desta, no que entendemos como ação, com-t-actação (interpretação, no sentido compreensivo). Acho que é possível, teoricamente, aprender GT sem grandes teorizações;mas não é possível sem a vivência e desenvolvimento nesta arte empírica, vivencial; nesta estética da ação e da atualização. Creio que, no mais importante, Perls não aprendeu teóricamente a GT. Aprendeu, principalmente, no teatro expressionista, aprendeu com a estética de Buber. E aplicou à chamada psicoterapia esta estética exprwessiva do devir e da ação, da com-t-actação -- que é insistência em nosso modo ontológico de ser, que se caracteriza e constitui como um fazer com que, do invisíve (possível, po-tente, possibilidade, vontade de possibilidade, estético, estésico) brotem efeitos visíveis (do I Ching)...